domingo, 13 de março de 2011
A Doença está em sua mente. E também a Cura
Quem está acostumado a ler meus artigos sabe o quanto eu me preocupo com a área da saúde. Desde que iniciei a estudar astrologia (muitos e muitos anos atrás!) a área da Astromedicina, assim como as terapias alternativas sempre me fascinaram. Talvez isso seja causado pelo meu sol 'pisciano', que me dá uma propensão inata em querer ajudar os outros! Se eu vejo alguém doente, compadeço-me, tento ajudar, dou conselhos, forneço dicas, receito florais, enfim, tento aliviar seu sofrimento! Coisas de 'peixes'.
Na realidade, porém, tento fazer com que a pessoa perceba que a doença não é algo que vem de fora mas é principalmente um recado do seu corpo, ou seja, é algo que vem de dentro de sua cabeça! Um recado do seu Eu Interior para seu aprendizado espiritual. Comecei a estudar as terapias desde o nascimento de meu filho caçula que, nascido prematuramente, apresentava um quadro de bronquite asmática muito severa, que nenhum antibiótico resolvia. Como Deus é bom, ele me encaminhou a um amigo que me sugeriu um tratamento homeopático! Santo conselho!
É bem verdade que o encontro com esse bom pediatra homeopático me ajudou também a abrir os olhos para uma forma diferente de encarar a doença. Percebi que eu não tinha que encará-la como a um inimigo, mas precisava reequilibrar o organismo, compreender o recado intrínseco nos mal-estares que meu filho apresentava. Minha infelicidade, num casamento que não me preenchia, era a maior causa do sofrimento dele e do meu. Então, seguindo os conselhos do homeopata, comecei a recuperar o meu equilíbrio orgânico e o dele com as benditas bolinhas de açúcar!
Porém, minha curiosidade me levou além, e aos poucos, lendo e aprendendo, fui modificando o meu comportamento e minha visão em relação à doença. Reconheci também que eu estava involuntariamente, também influenciando o desequilíbrio do meu bebê! Para que ele recuperasse a saúde, eu também precisava me tratar e também erradicar a causa de meus males!
Naquele período, e já se vão quase quatro décadas, comecei a estudar mais sobre homeopatia, florais, antroposofia, e ainda sobre outras terapias alternativas que possuem uma visão holística e integrada do homem. Aquilo fazia sentido. Compreendi aos poucos, que nosso pior inimigo está dentro de nós, limitando-nos, castrando-nos e promovendo pensamentos negativos que são a causa principal de todos nossos mal-estares.
A Astrologia, na parte que estuda a relação entre os planetas e as patologias, ajudou-me a formar uma idéia bastante clara sobre as razões que levam uma pessoa a ter uma doença determinada e não outra. Ou seja, a astrologia me deu respostas para compreender que todos nós temos em nosso corpo 'pontos fracos', ou seja, pontos de canalização da energia negativa. Será sempre nestes pontos fracos que irão acender as 'lampadinhas de alarme' para nos indicar que algo não vai bem em nossa vida! Apagar a lampadinha de alarme não irá curar nossa dor! Mas é isto que fazem a maioria dos remédios alopáticos. Os médicos alopatas que me desculpem. Eu não sou contra a medicina alopática, mas creio que ela deva ser usada como último recurso possível! De fato, os remédios alopáticos simplesmente desligam a lampadinha, visam apagar o sintoma e não eliminar a causa.
Muitas vezes até trocam a 'lampadinha queimada', mas não curam o curto circuito que causou a pane inicial. Por essa razão, nos tornamos dependentes dos remédios que consideramos os verdadeiros 'curadores' de nossos males! Tem remédio para tudo. Pílulas para dores de todo tipo! Com que facilidade nos viciamos neste ou naquele remédio que consideramos milagroso. Esse raciocínio acaba causando dependência e torna crônicas nossas doenças.
Vocês já perceberam que depois, aquelas dores voltam? Aquela doença se arrasta? Aquele mal-estar volta a nos atazanar?
Se com a mesma tenacidade com que nos agarramos a estes remédios, nos agarrássemos às terapias alternativas, certamente conseguiríamos viver melhor. Muitas pessoas me dizem: "Eu não tenho paciência para usar a homeopatia". "As terapias alternativas não fazem nada para mim". Mas não é de paciência que você precisa, respondo, é de determinação! Você quer ou não quer sarar? Sarar quer dizer não voltar a sofrer novamente! A menos que você goste de estar doente... A menos que você use a doença como forma de chamar atenção... A menos que você use a doença como muleta... como desculpa!
Então, vou insistir neste ponto: você quer encontrar uma forma para viver em equilíbrio, mais integrado e feliz? Conheça-te a ti mesmo! Vá fundo, leia, aprenda. Somente a nossa própria determinação nos dará essa oportunidade! Tudo está na Mente.
A astrologia relaciona com o planeta Mercúrio nossa forma de pensar. Mercúrio, mensageiro dos Deuses na mitologia romana (Hermes para os gregos), era um Deus esperto, inteligente e curioso, Mensageiro dos Deuses, era chamado. Analogicamente, o pensamento, nossa forma de expressão e nosso raciocínio, são relacionados com este Deus na astrologia.
Ok, dirá você, mas o que isto tem a ver? Tem tudo a ver, pois são nossos pensamentos que criam nossa realidade e determinam nossas escolhas. Assim, cada um de nós, conforme sua personalidade própria (Mercúrio e seus aspectos no mapa natal) tem uma forma de pensar e conseqüentemente uma forma de agir.
Se quisermos viver uma vida mais equilibrada e feliz precisamos 'controlar nossos pensamentos' e, sobretudo, precisamos fazer com que eles não sejam nossos próprios sabotadores. Aquelas palavrinhas: eu não consigo, eu não posso, eu não mereço, são os nossos piores inimigos!
Quantas vezes elas viram e reviram em nossas cabecinhas! As limitações que temos gravadas como etiquetas no subconsciente são condicionamentos recebidos na pequena infância e são relacionados com os aspectos lunares no nosso mapa. Quando Mercúrio e a Lua 'conversam' entre si de forma negativa eles criam a condição ideal para que se instalem doenças, dores, fobias, traumas e todas as limitações em nossa vida! Por que não podemos ser felizes? Quem disse isso? Vamos modificar nossos pensamentos, então.
Se os pensamentos negativos interrompem o fluxo das energias em nosso corpo e causam bloqueios (dores, doenças, fobias, medos), temos uma arma poderosa em nossas mãos! Na ponta de nossos dedos, com pequenas batidas repetidas nos pontos principais da acupuntura, podemos iniciar o desbloqueio desta energia e com a ajuda de frases neutralizadoras podemos 'calar a boca' definitivamente a esses pensamentos negativos que impedem nossa realização completa e nossa felicidade!
Creiam-me, meus caros internautas, o método é tão simples e fácil que parece 'milagroso'! Talvez seja por isso mesmo que ele enfrenta descrédito. Mas não foi assim no passado com todas as terapias alternativas? Até mesmo a psicologia e a psicanálise foram duramente criticadas no século passado! Para não falar das várias terapias alternativas.
Graziella Marraccini
sábado, 5 de março de 2011
Força que guia os seus passos
Uma mensagem de Maria de Todos para as mulheres
Nunca se esqueça que do seu ventre nasce a vida e jamais deixe de lado a luz que lhe guia que é a luz de ser progenitora da humanidade encarnada.
O exercício da maternidade é a arte de "ser Deus" em vida, criando e recriando cada ato de justiça de amor. Deus sempre sabe o que é melhor para cada um dos seus filhos, não é mesmo? Isso porque Ele nos criou e Nos deu vida!
Então, pense em uma mãe. Ela dá a luz a um espírito sagrado, que nasce em seu ventre. Sua responsabilidade, sua obra, não é apenas criar, mas manter também. Você mãe é a enviada do Cristo para dar harmonia a vida planetária, dar continuidade aos projetos celestes de luz e amor.
A vida se desenvolve a partir de você! O amor se molda com base nos seus atos! A luz cósmica é refletida pelo brilho vivo da sua face! Mas como conseguir servir a Deus se você não se lembrar de quem você é?
Não importa quantos filhos venha do seu ventre, não importa também se esse rito de passagem ainda não lhe foi ofertado. Você é mulher e toda mulher é mãe, mesmo que em vida não tenha dado a luz. Mãe é guardiã! Guardiã da vida e do equilíbrio universal. Tudo que você precisa encontrar já vive harmoniosamente dentro de você. É essa a luz que deve guiar seus passos, a luz da consciência da sua missão de zeladora da harmonia do universo.
Quando você se futiliza e se aliena com os enganos e vaidades mundanas, você se deforma, sua alma derrete aos poucos. Como a geada da fria manhã que se derrete ao nascer do sol, sua alma se esvaia e se desvia da sua essência. A alienação é como o ferro quente que marca o gado e queima fundo com a incandescência dos erros mundanos, a alma da mulher.
Não haverá consertos de paz em seu coração se você não assumir o seu papel. A sua luz precisa brilhar para iluminar o caminho dos que vem à seguir. É você quem segura o candeeiro da esperança! É você quem dá a direção do caminho a trilhar!
Quando você assume seu honrado compromisso de ser a sua essência, você se torna a Estrela Guia que orienta os próximos passos da humanidade.
Mensagem de Maria de Todos, recebida espiritualmente por Bruno J. Gimenes
QUEM É MARIA DE TODOS?
É uma consciência coletiva que mostra-se fraternalmente como uma mãe amorosa e dedicada a seus filhos: a humanidade.
É a Mãe da vida, a Mãe Terra personificada, que vive no coração da Virgem Maria e de todas as manifestações da Mãe Divina como Kuan-Yin, Pachamama, Yemanjá, Tara, entre outras.
Sou Gota em um Rio
Como pequenas gotas d'água, fazemos parte de um rio que está sempre a fluir... A cada fração de segundo se transforma, sempre diferente, unidas às outras gotas semelhantes a nós, com essências iguais, mas diversas se forem analisadas com atenção. Somos parte de um Todo e em nós temos este Todo.
Tendo a consciência deste pertencimento a algo muito maior do que nós, se nos entregamos ao fluxo deste grande rio, sem medos, se não lutamos contra a correnteza, mas nos deixamos levar com confiança, seguimos adiante sem tantos problemas.
Temos que ultrapassar obstáculos que surgem, a todo instante, pedras, reentrâncias da margem, troncos que bóiam, mas não estamos sós, se nos entregamos ao fluxo poderoso da Vida que nos vai conduzindo... Para onde? Para o Grande Mar, que é onde desembocam as águas de todos os rios deste planeta, não importando o tamanho de cada um deles.
Neste fluir, muito aprendemos, principalmente treinando a paciência e a aceitação. Sendo pequenas gotinhas d'água, nem tudo compreendemos e quase nada podemos controlar! Vamos sendo levadas pela Vida, que sincronicamente e com muita harmonia, nos conduz, sempre pra frente, e nunca sós. Somos importantes porque fazemos parte das águas caudalosas deste rio, que quando para de fluir, adoece... Pra frente é que ele precisa andar. Sempre... Quando chegaremos ao Mar? Não sabemos, mas isto pouco importa - é preciso cooperar com o fluxo e ir indo, da forma mais confiante possível.
Uma gotinha sozinha muito pouco representa, mas quando se mistura às outras, produz movimento, cresce, vai em frente.
Esta imagem forte que me chegou me dá a idéia da importância de nos entregarmos à Vida, a Deus, ou ao Amor (usemos o nome que mais nos toque o coração), pois existe um caminho muito sábio, muito bonito, mesmo quando nos faz tropeçar, retroceder para avançar, que Alguém traçou pra nós e que se nEle confiarmos, chegaremos a um local muito doce e ao mesmo tempo muito poderoso, pleno de paz, que está em cada um de nós, onde estaremos felizes, num silêncio sem palavras, mas cheio de significado.
Quando temos a ilusão de querer controlar a nossa vida, muitas vezes saímos do curso deste rio e - sozinhos - tentamos ir contra a correnteza da Vida. E nos ferimos muito, atrasando também a nossa chegada.
Ter fé em Deus é ter fé na Vida, em seu fluxo, pois Deus está em tudo e em todos e nos fala a todo instante. Das formas mais variadas, discretamente ou em altos brados, em todos os locais em que estivermos. Somos gotas de um rio que precisa de cada um para ser o que é. É preciso que nos demos as mãos, que nos unamos, que busquemos redirecionar as gotas que teimam em não se colocar neste local de aconchego, de amor partilhado, que é a vida, quando nos reconhecemos Amor e percebemos o mesmo no outro, seja ele nosso conhecido, ou não.
Se como gota ficarmos isoladas do rio, vamos nos aniquilar, pois os raios solares nos secarão bem rapidamente. Só unidos aos outros irmãos, venceremos e teremos a confiança de transpor qualquer dificuldade que nos surja no caminho. Há um ditado popular - e como são sábios - que diz que a união faz a força!
O momento é de união. De olharmos amorosamente quem nos observa ou caminha ao nosso lado, no ônibus, na rua, no avião, aonde for. Vamos demonstrar aos que nos encontram - nunca por acaso - que o reconhecemos como gota do mesmo rio do qual fazemos parte! Ele vai nos entender, mesmo que não verbalize isto. E nosso exemplo lhe dará um roteiro para que faça o mesmo, pois gentileza gera gentileza... já nos dizia um poeta de rua, que nada de material possuía.
A sensação de fazer parte de um rio me dá serenidade e me torna forte para continuar. Também me ensina que nunca há um momento igual ao outro, pois as águas não param de correr, de fluir... O tempo está passando muito rápido, vamos nos dar as mãos e vamos confiantes ao encontro do Mar, que é Amor e Paz.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Quer ser feliz? Confronte-se com acolhimento
Quer ser feliz? Confronte-se com acolhimento
Temos tanto medo de nos confrontarmos com nossa realidade interior, que vivemos buscando respostas para nossos problemas e angústias fora de nós. Culpamos e julgamos todas as pessoas com quem convivemos, acreditamos que somos vítimas da má sorte e que Deus nos esqueceu, como uma forma de colocarmos em algum lugar externa, as responsabilidades por todas as nossas dificuldades e dissabores. Algumas vezes, em momentos de dor mais intensa, entramos em um processo de muito medo, e acabamos nos rendendo às evidências do desequilíbrio, e não vemos outra saída, a não ser buscar ajuda exterior.
Porém, quando finalmente nos encontramos diante de um profissional que possa nos ajudar a reencontrar o equilibrio, nossa intenção é no sentido de fazer com que ele acredite em nossa condição de vítima. Contamos nossa história, nossos dissabores, temores e angústias, mas o tempo todo estamos tentando fazer com que esse profissional nos dê uma fórmula mágica a qual fará com que nossos problemas se dissipem e, o que mais desejamos, é que ele nos mostre um meio de mantermos nossa vida, atitudes e personalidade do jeito exato em que se encontra, sem que precisemos mudar qualquer condição interna em nós. Nossa tentativa é no sentido de encontrarmos meios de sairmos da dor e do medo, reassumindo o controle, e meios de mudarmos as pessoas que "nos ferem e prejudicam", como se toda a culpa fosse delas.
Não queremos que ele nos faça sugestões de promovermos mudanças internas, mesmo porque não gostamos nada da idéia de que ele nos aponte os nossos erros, nossas atitudes incorretas, nossa responsabilidade dentro do que nos acontece. Quando ele faz esse papel, de nos mostrar aquilo que está oculto em nosso inconsciente e que não queremos ver, e de nos mostrar o que em nós precisa ser modificado para que nossa interação com as pessoas e circunstâncias possam ser mais equilibradas, nossa reação é de recusa e de negação. Nos fechamos de forma a impedir que o terapeuta nos mostre além daquilo que estamos dispostos a ouvir e conhecer a nosso respeito.
Nosso pensamento é: não vim aqui para ser acusado, mas para que ele me ajude a provar, a mim mesmo e a todos, que estou certo e que sou a parte injustiçada e prejudicada, portanto, não quero ser responsável por nada do que me ocorre, mas quero encontrar uma forma de me fortalecer para vencer os problemas e as pessoas envolvidas nele, e para que possa encontrar meios de provar a essas pessoas o quanto elas estão erradas e precisam mudar. Elas sim precisam mudar, pois estou certo e convicto de que meus pensamentos, sentimentos e atitudes estão perfeitamente corretos.
Enquanto o terapeuta nos mostra a responsabilidade dos outros e nos acolhe em nossas dores, nos entregamos ao processo, mas basta que ele passe a nos apontar nossos defeitos e negatividades que nos trancamos internamente, na tentativa de não deixarmos que ele nos invada.
É aqui que nos prejudicamos, pois nessa atitude teimosa, arrogante, prepotente e defensiva, estamos perdendo a oportunidade de voltarmos o olhar para dentro de nós, com humildade e honestidade, para encontrarmos com nossos verdadeiros "inimigos", aqueles que são os únicos responsáveis por nossos fracassos, dores e temores - nossos medos, crenças antigas, mecanismos de auto-sabotagem, ódio, instinto de vingança, arrogância, dentre muitos outros - os quais mantemos tão habilmente trancafiados em nosso inconsciente para que ninguém, nem mesmo nós, possamos descobrir e para que evitemos entrar em contato com a dura realidade: somente nós somos os responsáveis por tudo o que nos acontece.
Somos responsáveis quando manipulamos as pessoas; quando nos omitimos em determinadas situações que pedem um posicionamento firme; quando permitimos que as pessoas nos prejudiquem ao invés de interditá-las, e nos fazemos de vítimas; quando nos deixamos manipular e envolver por hábeis tiranos, mesmo tendo consciência dessa interação; quando abrimos mão de nosso poder pessoal, ao invés de mantermos as rédeas de nossa vida em nossas mãos.
Portanto, fica claro que quanto mais insistimos em nos colocarmos em posição de infelizes vítimas da vida, ao invés de nos voltarmos para dentro de nós na intenção de descobrirmos quem somos de verdade, mais estamos resistindo ao processo que nos levará a uma liberdade verdadeira, em que nos libertaremos dos grilhões que nós mesmos nos impusemos inconscientemente. Quando atravessamos a densa camada de nossa negatividade, com consciência e determinação, encontraremos, oculta por essa camada, nossa verdadeira identidade, nossa essência divina. Portanto, quanto mais mergulhamos em nós, mais de nossa Luz libertamos.
Quando resolvemos nos confrontar, a despeito de todo e qualquer aspecto negativo que venhamos a descobrir a nosso respeito, e se soubermos acolher cada um desses aspectos, com amorosidade e aceitação, somos finalmente capazes de encontrar a felicidade que buscamos.
Não existe outro caminho a não ser o do autoconhecimento. Mas se não estamos dispostos a ir até as profundezas de nosso inconsciente e tentarmos apenas olhar para a superfície dele, acreditando que com o conhecimento de meia dúzia de defeitos já será o bastante para nos libertarmos, nunca nos sentiremos seres íntegros e equilibrados. Se resistirmos e nos enganarmos, por preguiça, medo ou covardia - também devemos descobrir esta verdade oculta -, nosso Ego reassumirá o poder, e tentará, a todo custo, nos fazer acreditar que o caminho do autoconfronto é perigoso e que fará com que nos percamos de nós mesmos. Se nos perdermos, será do nosso próprio Ego, se sentirmos a sensação de confusão e de perda de identidade é porque estaremos nos desidentificando com nosso Ego, o que é ótimo, para que possamos ter a liberdade de descobrir nossa negatividade oculta, o que nos levará a descobrir nossa identidade Real.
Porém, poderemos nos equivocar e passarmos a nos identificar com nossos aspectos negativos, acreditando que somos essa parte horrível de nós. Era justamente pelo medo que tínhamos de descobrir essa realidade, que nos deixávamos guiar por nosso Ego, para que o mundo não viesse a descobrir o ser abominável que somos. Mas se perseverarmos, conseguiremos nos libertar novamente das garras do Ego manipulador e nos entregaremos novamente ao processo, que nos levará a descobrir tudo o que há de pior em nós, sem acreditarmos que somos esses aspectos negativos, mas que apenas os contemos. Conseguiremos compreender, que nossa negatividade é proveniente da mesma corrente de energia positiva, que faz parte da Luz de nosso Ser Real, a qual apenas se negativou, mas continua sendo luz.
Isto nos trará serenidade para passarmos a nos confrontar cada vez mais profundamente e, a cada descoberta de negatividade, saberemos que ela apenas faz parte de nós na dualidade e que não é nossa realidade final. E tudo de negativo que faz parte de nós na dualidade, deve ser acolhido e aceito, para ser "educado e orientado", para que encontre o caminho de volta à nossa luz, o caminho da reconversão e reintegração com nossa essência divina.
por Teresa Cristina Pascotto - crispascotto@hotmail.com
domingo, 13 de fevereiro de 2011
A crença do não-merecimento
A crença do não-merecimento
Imagine que você adota um cãozinho vira-lata. Você o leva para a sua casa, alimenta, dá banho, trata, leva ao veterinário e o enche de carinho. Será que esse cãozinho iria pensar "eu não mereço nada disso, meus amigos na rua passando fome e eu aqui com esse luxo todo..."
Imagine tudo isso sendo falado em um tom dramático de culpa e "humildade". Imagine o cãozinho se sabotando. Não come mais a ração e pede para o dono comprar outra mais baratinha. Diz também que não precisa de tanto assim. Pra que tanto conforto? E os colegas da rua que não têm nada disso? E o que ele fez para merecer tudo de bom? Por que outros não tem acesso às mesmas coisas? É claro que um cachorro jamais agiria dessa forma.
Ele apenas aceita e aproveita tudo que lhe é ofertado. O animal não precisa de razões para justificar ter uma vida boa. Já nós, seres humanos, temos uma tendência de precisar encontrar motivos que justifiquem as coisas que temos ou ganhamos: só me sinto confortável em ter muito se eu trabalhar muito; só consigo me sentir bem em ter uma vida boa se eu disser que passei muitos anos estudando e trabalhando para conquistar esse resultado; se eu não me sacrifico, não me sinto no direito às melhores coisas; só posso me permitir cobrar um preço mais alto se eu estudar tantos anos a mais.
Quando a criança nasce, ela não questiona se merece ou não o que recebe. No entanto, quando o pensamento vai se desenvolvendo e torna a estrutura do ego mais complexa, a mente começa a comparar, julgar e vão surgindo, em uma idade ainda muito tenra, os pensamentos de não merecimento e culpa. Inicialmente, a criança vai se comparar com os irmãos, observando se eles têm mais ou menos, se são felizes ou infelizes. Irá também começar a observar o sofrimento dos pais.
E conforme for a situação familiar, quanto maior for o sofrimento, maior a tendência de se desenvolver sentimentos de culpa em ser feliz, culpa em ter, culpa em receber. Ao crescer um pouco mais, a criança irá também começar a ter contato com as pessoas do mundo exterior e seus sofrimentos, o que poderá alimentar ainda mais a sensação de culpa e não merecimento em ter uma vida melhor do que a média.
Uma infância pobre onde a criança não teve as necessidades básicas plenamente satisfeitas (alimentação, roupas, lazer e etc.) pode ser também bastante prejudicial. De tanto ouvir: Não pode; não temos; não dá; não é pra você; não é para nós (e as vezes até 'quem você pensa que é pra querer isso ou aquilo, pensa que é melhor que os outros, pensa que é rico?) a criança cresce e vai internalizando cada vez mais que ela não pode e não merece acesso a certas coisas.
Atendi uma mulher com um intenso sentimento de não conseguir receber. Por ter um problema de saúde que exigia um gasto considerável, foi entregue para ser criada muito pequena para uma tia que tinha melhores condições. Recebeu os cuidados materiais necessários mas a parte emocional ficou muito prejudicada. Ouvia sempre a tia falar sobre os gastos necessários para mantê-la, além de outras situações emocionalmente desagradáveis. Assim ela foi desenvolvendo a sensação de se sentir um peso. Receber tudo aquilo tinha um preço bem alto.
Uma parte do preço foi ter ficado afastada dos pais, o que a privou de uma criação com mais afetividade. A outra parte do preço foi ter desenvolvido o sentimento de culpa e uma sensação de ter uma dívida impagável com a tia.
Ela começou a sentir que receber algo era é o mesmo que ficar devendo. Sempre que recebia algo, tinha que retribuir na hora para aliviar o desconforto. Imagine os prejuízos que esse padrão pode causar nos relacionamentos e na vida profissional de alguém.
Avalie a si próprio. Sente dificuldade em receber presentes? Precisa presentear ou fazer algo de volta pela pessoa para ficar em paz? Consegue receber elogios de forma natural ou precisa minimizá-los ou retribuí-los na mesma hora? Quando há uma possibilidade de ganhar algo de bom (um sorteio, uma promoção no trabalho, uma viagem...) tem uma tendência de deixar para outras pessoas ou você também quer ganhar e aproveitar? Se você conquista uma situação melhor (maior salário, vida mais confortável) precisa justificar pra você mesmo ou para os outros o tanto que você trabalhou para conquistar aquilo?
Quando adquire algum bem (carro, casa, roupas) você precisa pensar e justificar para você mesmo ou para os outros que esforçou bastante para se sentir bem com o que adquiriu? Se algo vier muito fácil, você aceita e usufrui tranquilamente, ou aproveita mas com sentimento de culpa?
Existe ainda a crença do merecimento ligada a questões espiritualistas e religiosas. "Fulano não teve o merecimento para se curar de tal doença". "Eu não tive o merecimento para sair da situação financeira difícil que vem desde a infância." "Se for do merecimento de fulano, ele irá conseguir". "Se você não saiu ainda dessa situação é porque não é do seu merecimento".
Fica simples e conformista demais uma justificativa dessa forma. Desenvolve-se um sentimento de que, se tem algo negativo, é porque essa pessoa "merece" passar por aquilo, até quando ninguém sabe. Por muitas vezes isso acaba gerando uma perpetuação do sofrimento por culpa e auto punição. As vezes as pessoas se tornam passivas e deixam de compreender mais profundamente as razões daquele sofrimento, perdendo também a chance transformá-lo.
Deveríamos aproveitar o exemplo dos animais que não questionam se merecem algo ou não. Eles sempre aproveitam a abundância. E quando passam por dificuldades fazem o melhor que podem para sair delas, sem se preocupar ou sentir culpa se fizeram ou deixaram de fazer algo para passar por aquilo.
Declare-se merecedor, e vá em busca do que você deseja. Seja persistente até alcançar o que deseja. Se a solução vier rápida e facilmente, aceite e aproveite. Não compre o título que alguém tente lhe passar de 'não merecedor pois isso acaba apenas criando passividade e culpa. Acredito que todos nós, de forma consciente ou inconsciente demos causa ao nosso sofrimento, ou atraímos ou pelo menos contribuímos para ele. Ainda assim, todos merecem se libertar do sofrimento.
Como todo e qualquer pensamento, sentimento e crença negativa, podemos usar a *EFT (técnica para auto-limpeza emocional, veja como receber um manual gratuito no final do artigo) para limpar profundamente esta crença de forma a nos libertar da sensação de não sermos merecedores de qualquer coisa que seja.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O Exemplo de um Verdadeiro Mestre
O Exemplo de um Verdadeiro Mestre
iddu Krishnamurti nasceu na Índia em 1895 e a partir dos treze anos de idade passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo para o "Instrutor do Mundo", cujo advento proclamavam. Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculadas a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Repudiando com firmeza a imagem messiânica, em 1929 dissolveu dramaticamente a grande e rica organização que havia sido criada à sua volta, e declarou ser a verdade "uma terra sem caminhos", à qual nenhuma religião formalizada, filosofia ou seita daria acesso.
Nesta ocasião, um repórter, considerando um ato espetacular dissolver uma organização com milhares de membros, perguntou-lhe quem se interessaria em escutá-lo, se não queria seguidores? K. respondeu: - "Se houver apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham a face voltada para a eternidade, será o suficiente. De que servem milhares que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo (...)? Gostaria que todos os que queiram compreender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores (...), do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida."
Pelo resto de sua vida Krishnamurti insistentemente rejeitou a posição de guru que tentaram lhe impingir. Continuou a atrair grande audiência através do mundo, mas não reivindicava autoridade, não queria discípulos, e falava sempre como um indivíduo fala a outro. No cerne do seu ensinamento estava a conscientização de que é possível produzir mudanças fundamentais na sociedade apenas pela transformação da consciência individual. Enfatizava constantemente a necessidade de autoconhecimento, e da compreensão da influência restritiva e separativa dos condicionamentos religiosos e nacionalistas. Apontava sempre para a necessidade urgente de abertura, do "vasto espaço no cérebro no qual há inimaginável energia". Isto parece ter sido a fonte de sua própria criatividade e a chave para seu impacto catalítico sobre uma ampla gama de pessoas.
Krishnamurti continuou falando pelo mundo até sua morte, em 1986, aos noventa anos de idade. Suas palestras e diálogos, diários e cartas têm sido preservados em livros e gravações.
Falou em várias universidades, a professores e a grupos de estudantes, nos EUA, na Europa e Índia. Foi freqüentemente procurado por pensadores e cientistas, com os quais estabeleceu debates.
A educação constituiu sua principal preocupação, desde muito jovem, tendo fundado várias escolas. Hoje estes centros educacionais são renomados e recebem jovens de todas as partes do mundo. As mais famosas são as de Brockwood Park, na Inglaterra, para jovens a partir de quatorze anos, a de Rishi Valley, na Índia, que recebe crianças a partir de sete anos, e a de Oak Grove, nos EUA, com alunos a partir de três anos e meio de idade.
"A Verdade é uma terra sem caminho".
O homem não chegará a ela através de organização alguma, de qualquer crença, de nenhum dogma, de nenhum sacerdote ou mesmo um ritual, e nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica. Ele tem que descobri-la através do espelho das relações, por meio de compreensão do conteúdo da sua própria mente, mediante a observação, e não pela análise ou dissecação introspectiva. O homem tem construído imagens em si próprio, como muros de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais. Estas se manifestam como símbolos, idéias, crenças. O peso dessas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são as causas de nossos problemas, pois elas dividem os homens. A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente. O conteúdo de sua consciência é a sua consciência total. Este conteúdo é comum a toda humanidade. A individualidade é o nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do ambiente. A singularidade do homem não se acha na sua estrutura superficial, porém na completa libertação do conteúdo de sua consciência, comum a toda humanidade. Desse modo ele não é um indivíduo.
A liberdade não é uma reação, nem tampouco uma escolha. É pretensão do homem pensar ser livre porque pode escolher. Liberdade é observação pura, sem direção, sem medo de castigo ou recompensa. A liberdade não tem motivo: ela não se acha no fim da evolução do homem e sim, no primeiro passo de sua existência. Mediante a observação começamos a descobrir a falta de liberdade. A liberdade reside na percepção, sem escolha, de nossa existência, da nossa atividade cotidiana.
O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e do conhecimento, coisas inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo, e desse modo, o homem é um eterno escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constantes conflito e numa luta sem fim. Não existe evolução psicológica.
Quando o homem se tornar consciente dos movimentos dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a coisa experimentada. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Este vislumbre atemporal produz uma profunda e radical mutação em nossa mente.
A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas aquelas coisas que o pensamento produz psicologicamente, só então existe o amor, que é compaixão e inteligência.
Esta exposição foi originalmente escrita pelo próprio Krishnamurti, em 21 de outubro de 1980, para ser publicada no livro "Krishnamurti: Os Anos de Realização", de Mary Lutyens.
Fonte: Instituição Cultural Krishnamurti
A prisão de não saber dizer não
A prisão de não saber dizer não
A dificuldade em dizer não é um padrão emocional muito comum, facilmente detectável em boa parte das pessoas. A maioria de nós, em maior ou menor grau, sente essa dificuldade.
Algumas vezes, a dificuldade aparece disfarçadamente. Vou citar um exemplo. Algumas explosões de raiva são, na verdade, uma manifestação das consequências desse padrão. Conheço uma pessoa que costuma aceitar tudo. O outro pede e ela faz e não reclama. No entanto, vai se acumulando uma insatisfação interior até que um belo dia surge uma grande reação de raiva. Nesse dia, ela consegue dizer não para a pessoa e aproveita a oportunidade para falar tudo que ficou engasgado. O resultado disso é a perda das amizades, dificuldades nos relacionamentos de trabalho e em todas as áreas.
As pessoas que têm esse padrão costumam comentar coisas do tipo "fulano é muito cara de pau, teve a capacidade de pedir isso e aquilo, e não é a primeira vez"; "eu jamais teria coragem de pedir tal coisa pra alguém". E no final perguntamos: e você atendeu ao pedido? E a reposta é sempre "ah sim, acabei fazendo, mas foi contra a minha vontade". E o discurso segue relatando o quanto esse pedido inapropriado lhe trouxe prejuízos.
É como se a pessoa dissesse interiormente "vou fazer o que estão me pedindo, mas de forma muito contrariada, vou reclamar bastante e ficar com muita raiva, comentarei com todo mundo o quanto essa pessoa é cara de pau, quem sabe ela toma consciência e para de me pedir essas coisas, não é possível que isso continue, ela deveria saber o limite, deveria ter bom senso assim como eu tenho".
Esse tipo de discurso coloca a pessoa no lugar vítima: "os outros não me respeitam, a culpa não é minha, o mundo é que deveria mudar". Um ganho secundário desse comportamento é o de ser visto como uma pessoa boa pelos outros: a explorada, a coitada, a vítima das maldades do mundo. Muita gente usa do vitimismo para obter aceitação e reconhecimento. No entanto a tendência é que as pessoas comecem a perceber esse padrão e se afastem com o tempo. Ela então precisará encontrar novos círculos para realizar o mesmo processo.
Muitas pessoas que agem dessa forma começam a se isolar como forma de evitar relacionamentos e ter que fazer coisas contra a sua vontade. Viver a vida sem colocar limites acaba levando a tristeza, ansiedade e depressão.
Conforme citei no início do texto, a dificuldade em dizer não pode estar em vários níveis, variando de pessoa para pessoa. Tem esse tipo de caso que relatei onde a se acumula raiva até explodir. Tem outros de pessoas que até dizem não na hora, mas o fazem de forma raivosa ou agressiva. É a sua defesa para esconder a insegurança que carregam. O "não" poderia ser dito de forma firme e ao mesmo tempo educada, sem qualquer tipo de desconforto por alguém que fosse mais seguro. Existe ainda aquele tipo que parece que nunca fica com raiva. É nessas pessoas que a insatisfação provocada irá causar mais intensamente quadros de depressão e ansiedade.
Comecei a refletir sobre o seguinte. De vez em quando me pego irritado quando alguém me solicita algo que não considero razoável, ou testemunho amigos comentando coisas que indicam sentimentos parecidos. Comecei, então, a desenvolver o seguinte pensamento: Qualquer um tem o direito de pedir o quiser, quando quiser, e eu tenho que estar preparado para isso aprendendo a negar e colocar os limites de forma firme e sem me alterar. Se eu fico com raiva ou irritado, sei que faz parte da minha insegurança e não adianta culpar ou falar mal do outro, pois isso seria vitimismo.
Não saber colocar limites é uma grande prisão porque ficamos dependendo do comportamento do outro para ficar em paz. É uma insanidade ficar reclamando como se os outros tivessem o dever de mudar. O que causa o sofrimento não é o pedido absurdo que alguem nos faz. Sofremos quando nós acatamos contra a nossa vontade ou quando reagimos de forma irritada. Deixe o outro ser como quiser, e aprenda a dizer não quando achar que deve. Isso sim o deixará em paz.
Outra coisa comum é que a pessoa começa a prejudicar seus relacionamentos mais íntimos pois está sempre a disposição dos pedidos de outros mais distantes. Programas são desmarcados, mudanças de planos ocorrem de última hora... Logicamente, isso causa desentendimentos familiares.
O mais interessante é que essas pessoas querem contar com compreensão da sua família; querem apoio para manter o seu comportamento subserviente com relação a terceiros. É como se dissessem "eu quero que você compreenda que eu não consigo dizer não para outras pessoas, e já que temos mais intimidade e sei que você me ama, você entenderá melhor se eu cancelar ou alterar o nosso programa pra que eu possa atender a outra solicitação. Por favor, compreenda isso e não brigue comigo, pois eu não posso contar com essa compreensão do outro lado e você sabe que tenho medo da rejeição, de não ser aceito, de perder minha imagem de bonzinho...". Os familiares ficam magoados, sentem como se todo mundo fosse mais importante e que a relação mais próxima não está sendo valorizada, por que é exatamente isso que está ocorrendo.
Por trás dessa dificuldade, podemos citar vários sentimentos negativos relativos a auto-estima: medo da rejeição, medo de não ser aceito, necessidade em ser reconhecido e valorizado. Existe uma ilusão de que agindo dessa forma a pessoa será bem vista. Mas ocorre justamente o contrário. Quanto menos damos limites, mais as pessoas nos desvalorizam. Parafraseando Gasparetto, "o mundo lhe trata como você se trata". Quem vive nesse padrão, dificilmente percebe isso e com o passar do tempo desenvolverá o discurso de que o mundo é um lugar cruel.
Quem sabe impor limites, liberta-se de muita ansiedade, acumula menos trabalho, aperfeiçoa as relações em todos os níveis, relaciona-se melhor e é mais respeitado.
por Andre Lima - andrelimareiki@gmail.com
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